Os Dinossauros e a Evolução da Mídia e do Entretenimento.

Por Guilherme Anders

São várias as teorias sobre as causas que provocaram o desaparecimento dos dinossauros. Pelas evidências arqueológicas, sob a face deste planeta já caminharam grandes e poderosos seres que hoje já não caminham mais. Chuva de meteoros? Alterações climáticas drásticas? Incapacidade de adaptação a novas condições? Todas as anteriores?

Em nossa era, vemos no mercado da mídia e do entretenimento a extinção de grandes e poderosos modelos de negócio por processos semelhantes às hipóteses de extinção dos dinossauros.

Na música, por exemplo: a aparição meteórica do iPod e a distribuição online de fonogramas, autorizados ou não (pirataria), ganhou tal volume e provocou uma alteração ambiental tamanha que vimos as grandes gravadoras, que antes reinavam soberanas sobre a Terra, minguarem rápida e claramente, perdendo sua força e tamanho para plataformas digitais. É claro que não queremos subestimar a relevância que estas gravadoras ainda têm. A Internet facilitou o trânsito de conteúdo musical e as gravadoras acabaram se adaptando aos novos negócios.

No mercado audiovisual, a distribuição digital de conteúdo fez como sua primeira vítima a outrora gigante do home vídeo: a Blockbuster. Aquela da qual a maioria de nós éramos clientes semanais do aluguel de filmes em DVD, sumiu!

O desenvolvimento do ambiente virtual com as ferramentas tecnológicas e a popularização do acesso à internet segue reorganizando o mercado do entretenimento.

O processo está ocorrendo de maneira simples e ao mesmo tempo sofisticada. Os serviços de disponibilização de conteúdo de entretenimento em vídeo via Internet, os chamados VOD (Video on Demand) ou vídeo sob demanda, que possibilitam ao cidadão usufruir de seu filme, ou série de TV, no local e horário que melhor lhe convém, através de, literalmente, qualquer dispositivo conectado à rede mundial, está selecionando naturalmente o mercado.

Graças à simbiose que os tubarões deste mercado estão desenvolvendo com o novo ambiente e seus organismos hoje, no Brasil, já é mais fácil e barato acessar filmes e séries de forma legal do que comprar o CD ou DVD no balcão do pirata. O preço de R$ 5,00 por um filme pirata ficou caro em relação aos R$ 21.90 mensais para usufruir ilimitadamente da biblioteca do Netflix, por exemplo.

Nesse processo evolutivo, o próprio VOD já possui sua família cujos filhos se encontram catalogados pela taxonomia jurídica, e os mais proeminentes são:

  1. ADVOD “Add Supported VOD”: são os serviços como o YouTube, onde o usuário tem acesso gratuito ao conteúdo graças aos anunciantes que suportam financeiramente os provedores;
  • SVOD – “Subscription VOD”: são aqueles serviços de acesso onde o usuário paga uma assinatura como HBO GO, Fox Premium;
  • DTO – “Download to Own”: ao contrário de seus irmãos que possibilitam apenas a visualização instantânea do filme pela tecnologia do streaming enquanto seu dispositivo está conectado à rede, o DTO dá ao usuário a possibilidade de baixar o conteúdo em dispositivo conectado e guardá-lo para assistir em outro momento, mesmo estando desconectado da Internet;
  • “Catch up”: é a oferta da possibilidade de rever um programa levado ao ar, por um curto período (2 ou 3 dias) após a sua veiculação inédita; e
  • AVOD “Authenticated VOD”: são, por exemplo, os serviços on demand das operadoras de televisão por assinatura e cias telefônicas que oferecem a seus assinantes o acesso a conteúdo, entre outros VODs.

No momento vemos grandes e tradicionais conglomerados de mídia e entretenimento se fundindo e se transformado (AT&T + TimeWarner, Fox + Disney, CBS + Viacom). Uns surgindo e outros sumindo.

Estes movimentos não terminarão por aí e novos indivíduos nesse sistema surgirão.

O conteúdo será sempre mercadoria valiosa e a quantidade de olhos nesse conteúdo será a moeda de troca.

Sigamos.

Índice